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Autobiografia profetizada
A materialização da
Autobiografia de um Iogue já havia sido profetizada
há muito tempo. Lahiri Mahasaya, uma dentre as
personalidades cruciais para o renascimento da ioga na
época moderna, previu: “Aproximadamente
cinquenta anos após a minha morte, escrever-se-á
um relato de minha vida, em virtude do profundo interesse
pela ioga que surgirá no Ocidente. A mensagem da
ioga rodeará o globo. Ajudará a
estabelecer a fraternidade entre os homens: uma unidade baseada na
percepção direta do Pai
Único.”
Muitos anos mais tarde, Swami Sri Yukteswar,
discípulo de Lahiri Mahasaya, relatou esta profecia a
Paramahansa Yogananda.“Você precisa
fazer a sua parte na divulgação dessa mensagem e
no relato escrito dessa vida sagrada”.
(cap. 32)
Em 1945, exatamente 50 anos após Lahiri
Mahasaya ter abandonado seu corpo, Paramahansa Yogananda
concluía a primeira edição
do livro, atendendo plenamente ambas
instruções de seu guru: fornecer a
primeira apresentação detalhada, em
inglês, da notável vida de Lahiri Mahasaya e
introduzir a milenar ciência indiana da alma ao
público mundial. (sobe)
Nos bastidores da
criação do livro
Talvez alguns prefiram romantizar, imaginando que
um sábio da envergadura de Yogananda assumiria sozinho a
hérculea missão de escrever, traduzir, editar e
revisar suas muitas obras, esquecendo que além de tudo isso,
ele ainda palestrava, ensinava, e administrava sua
organização (Self-Realization) com
múltiplas atividades. Mas justamente por ser um
sábio, ele atraiu para si almas afins e colaboradoras, que
trabalharam com afinco para preservar a integridade dos ensinamentos
perenes dessa linhagem de mestres. Por isso, com o passar dos anos, os
“milhares de leitores” da sua autobiografia
tornaram-se milhões, como Paramahansa Yogananda previu.
Depois da sua morte, em 1952, a Self-Realization Fellowship permaneceu
fiel aos objetivos de seu fundador, expandindo seus ensinamentos por
todo o mundo, e suas idéias continuaram se
manifestando nas diversas áreas de conhecimento e
atuação humanas, como
educação, psicologia, medicina,
administração e muitas outras, dando uma valiosa
contribuição para a
construção de valores éticos na vida
das pessoas em geral. Conforme Lahiri Mahasaya previu há
mais de cem anos, a mensagem da ioga e sua antiga
tradição de meditação
realmente abraçaram o globo. (sobe)
A
criação da Autobiografia de um
Iogue foi um projeto no qual Paramahansa Yogananda trabalhou
por um período de vários anos. Sri
Daya Mata, uma de suas primeiras e mais próximas
discípulas, ¹ relembra:
“Quando
vim para Mount Washington em 1931, Paramahansaji
já tinha começado seu trabalho na
Autobiografia. Uma vez, enquanto eu realizava algumas tarefas de
escritório em seu estúdio, tive o
privilégio de ver um dos primeiros capítulos que
escreveu: o do ‘Swami Tigre’. Pediu-me que o
guardasse, explicando que faria parte de um livro que estava
escrevendo. A maior parte do livro foi escrita mais tarde, entre 1937 e
1945.”
De junho de 1935 a outubro de 1936, Paramahansa
Yogananda viajou pela Índia, (passando pela Europa
e pela Palestina) para estar com seu guru, Swami Sri Yukteswar, pela
última vez. Enquanto estava na Índia, compilou
muitos dados e fatos para a Autobiografia, bem como
histórias sobre alguns dos santos e sábios que
conhecera, cujas vidas descreveria de modo tão
memorável no livro.
Ao voltar aos Estados Unidos em fins de
1936, começou a passar a maior parte de seu tempo no
eremitério que havia sido construído para ele em
sua ausência, localizado em Encinitas, ao sul da
costa californiana. Aquele lugar demonstrou ser ideal para a
concentração necessária ao
término do livro que havia sido iniciado
alguns anos antes.
“Ainda lembro vividamente os
dias passados naquele pacífico eremitério
à beira do mar”, relembra Daya Mata.
“Yoganandaji tinha tantas outras responsabilidades e
compromissos que não podia trabalhar diariamente na
Autobiografia; mas geralmente dedicava as noites ao trabalho no
livro, bem como qualquer momento livre de que dispusesse.
Só no início de 1939 ou de 1940 é que
conseguiu devotar tempo total ao livro. E era realmente tempo total
– começava de madrugada e terminava de madrugada!
Um pequeno grupo de discípulas – Tara Mata;²
minha irmã, Ananda Mata; Sraddha Mata e eu
– estávamos presentes para ajudá-lo.
Depois que cada parte era datilografada, ele a entregava a Tara Mata,
que desempenhava a tarefa de redatora.
“Que preciosas
lembranças! Conforme escreveu, ele
revivia interiormente as sagradas experiências que
registrava. Seu propósito divino era compartilhar a alegria
e as revelações encontradas na companhia de
santos e de grandes mestres e na própria
percepção pessoal do Divino. Com
freqüência fazia uma pausa, com
o olhar elevado e o corpo imóvel, arrebatado no estado de
profunda comunhão com Deus, denominado samadhi. O aposento
inteiro enchia-se com uma aura de amor divino tremendamente
poderosa. Para nós, discípulos, o simples
fato de estarmos presentes nestas horas significava a
elevação a um estado superior de
consciência. (sobe)
Tara
Mata: a discípula empenhada
na publicação do livro
Tara
Mata ficou então com a responsabilidade
de encontrar uma casa editora. Paramahansa Yogananda conhecera Tara
Mata em 1924, ao fazer uma série de palestras e aulas em San
Francisco.
Dona de rara percepção
espiritual interna, tornou-se parte do pequeno
círculo de discípulos mais avançados.
Suas habilidades de compilação e
redação eram tidas no mais alto apreço
por Paramahansaji, que costumava dizer que ela possuía uma
das mentes mais brilhantes que conhecia. Ele apreciava o vasto
conhecimento dela e sua compreensão da sabedoria das
escrituras indianas, observando em certa ocasião:
“Ela é a melhor
editora do País, talvez de qualquer
outro lugar. Além
de Sri Yukteswarji, meu grande guru, Tara Mata é a pessoa
com quem mais apreciei conversar sobre filosofia indiana.”
Tara Mata levou o manuscrito para Nova
Iorque, mas encontrar uma editora não foi tarefa
fácil. Como ocorre com freqüência, a
verdadeira envergadura de uma grande obra nem sempre é
reconhecida pelas pessoas convencionais. Devido ao despertar da era
atômica, havia uma ampliação da
consciência coletiva humana, com a compreensão
crescente da sutil unidade da matéria, energia e pensamento.
Apesar disso, os editores daquela época não
estavam preparados para capítulos como
“Materialização de um
palácio no Himalaia” e “O santo de dois
corpos”!
Durante um ano, Tara Mata viveu num pequeno
apartamento parcamente mobiliado, sem calefação
ou água quente, enquanto percorria as casas editoras.
Finalmente, um dia pôde enviar um telegrama com boas
notícias. A Philosophical Library, respeitada editora
nova-iorquina, tinha aceito publicar a Autobiografia. Um pouco antes do
Natal de 1946, os tão esperados livros chegaram a
Mount Washington.
“É
impossível tentar descrever o que Tara Mata fez
pelo livro. Se não fosse por ela, o livro nunca
teria ido adiante”, disse Paramahansa Yogananda. ³
A obra foi saudada pelos leitores e pela imprensa
mundial com uma torrente de elogios. “Jamais houve,
em inglês ou em qualquer outra língua,
algo como esta apresentação da
ioga”, escreveu a Columbia University
Press em sua publicação Review of Religions. O
New York Times proclamou: “Um raro
relato.” A revista Newsweek registrou: “O
livro de Yogananda é mais uma autobiografia da alma do que
do corpo (...) É um estudo fascinante, comentado com
clareza, de um modo de vida religioso, engenhosamente descrito no
exuberante estilo oriental.” (sobe)
Uma nova Autobiografia modificada
e publicada em 1951 (veja aqui
um exemplar histórico)
Uma segunda edição foi
rapidamente preparada, e, em 1951, uma terceira. Além de
revisar e atualizar partes do texto, bem como eliminar passagens que
descreviam atividades e planos da organização que
já não se aplicavam, Paramahansa Yogananda
acrescentou um último capítulo – um dos
mais longos do livro – abrangendo o período
1940-1951. Numa nota de rodapé no novo capítulo,
escreveu:
“Muito material novo do
capítulo 49 foi acrescentado na terceira
edição do livro (1951).
Respondo, neste capítulo, a várias perguntas
sobre a Índia, a ioga e a filosofia
védica.”
Outras revisões feitas por Paramahansa
Yogananda foram incluídas na sétima
edição (1956), conforme
descrição na nota da editora daquele ano:
“A
edição americana de 1956 contém
revisões feitas por Paramahansa Yogananda em 1949 para a
publicação de seu livro em Londres, Inglaterra,
além de revisões feitas pelo autor em
1951.
Em
‘Nota da edição
londrina’, publicada em 1949, Paramahansa Yogananda
escreveu:
"Os ajustes para a
edição londrina do livro deram-me a
oportunidade de revisar e aumentar um pouco o texto. Além do
novo material no último capítulo, acrescentei
várias notas de rodapé, nas quais respondo a
perguntas feitas pelos leitores da edição
americana."
“Revisões
posteriores, feitas por Paramahansa Yogananda em 1951, deveriam
aparecer na quarta edição americana
(1952). Naquela época, os direitos da
Autobiografia de um Iogue pertenciam a uma casa editora de Nova Iorque.
Em 1946, a editora tinha gravado todas as páginas do
livro em eletrótipos. Em
conseqüência deste processo, até o
acréscimo de uma vírgula exige que a chapa de
metal da página inteira seja cortada e ressoldada com a nova
frase contendo a vírgula em questão. Devido aos
custos envolvidos no processo de ressoldagem das chapas, a editora
não incluiu na quarta edição as
revisões feitas pelo autor em 1951.
“No final de 1953, a
Self-Realization Fellowship (SRF) adquiriu da editora nova-iorquina
todos os direitos da Autobiografia de um Iogue. A SRF reimprimiu o
livro em 1954 e 1955 (quinta e sexta edições)
mas, durante estes anos, outros compromissos impediram que o
departamento de publicações da SRF assumisse a
formidável tarefa de incorporar as revisões do
autor aos clichês. Entretanto, o trabalho foi feito em tempo
de ser incluído na sétima
edição.” Ver
aqui as modificações de 1951 (sobe)
                                           
A obra atualizada
Na versão de 1951, P. Yogananda
promoveu numerosas modificações, muitas novas
notas de rodapés (algumas de até
página inteira), fotografias, relatos inéditos ao
longo
de vários capítulos, incluindo o
acréscimo do que ele chamou de "capítulo final: o
período de 1940 a 1951". Posteriormente à sua
morte, Tara
Mata, editou pequenos trechos
do livro conforme as instruções deixadas
por seu guru, além de atualizá-lo com
as informações sobre o mahasamadhi, as
mudanças de sucessores na presidência da
Self-Realization e a inclusão de novas fotos, como
o famoso - "O último sorriso" - registrado minutos antes da
morte de Yogananda, ocorrida em 07 de março de 1952.
(Após o falecimento de Tara Mata em 1971, assumiu como
editora-chefe, Mrinalini Mata,
outra discípula de Yogananda e
também treinada por ele para editar seu material
no futuro.
Desde então, a SRF permanece mantendo o livro atualizado e
reimpresso para quase 30 idiomas. Entre essas
atualizações, recebidas com entusiasmo pelos
leitores, constam novas fotografias e depoimentos, melhoramento do
índice, informações de
lançamentos de outros livros
inéditos, e similares. No Brasil, a
coletânea completa de Paramahansa Yogananda, pode ser
encontrada na Omnisciência.
(sobe)
Ilustração
de algumas, das dezenas de idiomas disponíveis nos
últimos 50 anos
Paramahansa
Yogananda escreveu na Nota do Autor da edição de
1951:
“Fiquei profundamente
comovido ao receber cartas de milhares de leitores. Seus
comentários e o fato de que o livro foi traduzido em muitas
línguas, dão-me incentivo
para acreditar que o Ocidente encontrou nestas páginas uma
resposta afirmativa à pergunta: ‘Pode
a ciência da ioga ter lugar e valor
significativo na vida do homem moderno?’”
Incontáveis depoimentos ao longo das
últimas décadas, corroboram essa afirmativa. Nas
últimas edições do livro
são apresentadas diversas declarações
de leitores contemporâneos, como as do David Frawley,
especialista em estudos védicos que deu início
à sua carreira inspirado na Autobiografia em 1971,
ocasião em que também tornou-se estudante da
Self-Realization Fellowship:
“Pode-se
dizer que Yogananda é o pai da ioga no Ocidente
– não a mera ioga física que se tornou
popular, mas a ioga espiritual, a ciência de
Auto-realização, que é o verdadeiro
sentido da ioga.”
Outro depoimento de David Frawley
também presente no livro A Yoga do
Bhagavad-Gita, recém lançado no Brasil:
" Yogananda
é muito mais conhecido por sua Autobiografia de um Iogue,
mas seu Gita é uma obra da mesma estatura e
importância. O que a Autobiografia de um Iogue
alcança no dominio da experiência humana, God
Talks with Arjuna consegue como ensinamento completo para a vida
espiritual. Em seu Gita, Yogananda aparece como um sábio do
mais alto nível e um cientista espiritual, um avatar da Yoga
para a civilização mundial que se aproxima. A
marca desse trabalho, sem dúvida alguma,
permanecerá ao longo das eras."
                      
¹-
Sri Daya Mata
é a atual presidente da SRF, atualmente com 96 anos
²-
Tara Mata ou
Laurie Pratt foi a revisora pessoal de Yogananda em suas principais
obras e vice-presidente da Self de 1956
até 1971.
3-
Na autobiografia de Um iogue e Sussurros da Eternidade, Yogananda
agradece publicamente à Tara Mata (L.V.Pratt). A
concretização de seus muitos livros só
foi possível graças a
colaboração quase "anônima" dessa
discípula, e de Mrinaline Mata, (atual vice-presidente) que
a substituiu após seu falecimento. (sobe)
                     
                      
Sri
Daya Mata
Editoras pessoais: Tara Mata
- Mrinalini Mata
Tudo em nome da SRF
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