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Um
dos capítulos fascinantes da Autobiografia de um iogue,
trata da Lei dos Milagres, onde Yogananda, de
maneira simples e clara, explica as leis sutis que operam no universo e
nos estados de consciência do homem, à luz da
ciência, da biblia e das milenares escrituras hindus.
Reproduzimos abaixo pequenos trechos intercalados das mais de
dez páginas sobre o tema, onde ele inicia relatando um conto
"milagroso" de Leon Tolstoi e passa a explicar como seus
mestres e outros homens santos realizam milagres:

As Escrituras védicas declaram que o
mundo físico está sujeito a uma lei
fundamental, a de maya, ou princípio da
relatividade e da dualidade. Deus, a
Única Vida, é Unidade
Absoluta; a fim de revelar-Se nas
manifestações diversas e separadas de uma
criação, Ele usa um
véu irreal ou falso. Este véu
dualístico e ilusório
é maya. Grandes descobertas
científicas dos tempos modernos confirmaram este simples
pronunciamento dos ríshis da
antigüidade.
A Lei do Movimento, de Newton, é uma
lei de máya: “Para cada
ação existe sempre uma
reação igual e
contrária; as ações
recíprocas de dois corpos quaisquer,
sendo iguais, têm sempre direção
oposta”. Ação e
reação são, pois,
exatamente iguais. “Existir
uma força ímpar é
impossível. Deve haver, e sempre há, um
par de forças iguais e contrárias”.
Todas as atividades naturais básicas
denunciam a sua origem: maya.
A eletricidade, por exemplo, é um
fenômeno de atração e de
repulsão; seus elétrons e
prótons são
contrários elétricos, outro
exemplo: o átomo ou partícula
derradeira da matéria é, como o nosso
próprio planeta, um imã com
pólos positivos e negativos. Todo
o mundo dos fenômenos está sob o
inexorável domínio da
polaridade; nenhuma lei de física,
química ou outra ciência pode jamais
subtrair-se aos opostos inerentes ou princípios
contrastantes.
A ciência física,
portanto, não pode formular leis fora de
máya: a verdadeira textura e estrutura da
criação. A própria
natureza é máya; as ciências
naturais devem forçosamente haver-se com a
inelutável essência da natureza,
já que esta, em sua esfera de
ação, é eterna e
inexaurível; os cientistas do futuro nada mais
poderão fazer senão demonstrar um aspecto
após outro de sua variada infinidade. Sendo assim, a
ciência continua em perpétuo
fluxo, incapaz de atingir a Causa Primeira e
última; apta, é verdade, para descobrir as
leis de um cosmo já existente e
funcional, mas impotente para achar o Autor da Lei e o
Único Operador. São bem conhecidas as
grandiosas manifestações da
gravitação e da eletricidade, mas o que
são a gravitação e a eletricidade,
nenhum mortal o sabe.

Transcender maya foi a tarefa atribuída
à raça humana pelos profetas
milenários. Elevar-se sobre a dualidade da
criação e perceber a unidade do Criador, eis o
fim supremo do homem. Os que se apegam à ilusão
cósmica devem aceitar sua lei essencial de
polaridade: fluxo e refluxo, ascensão e
queda, noite e dia, prazer e dor, bem
e mal, nascimento e morte. Este padrão
cíclico assume certa monotonia angustiosa, depois que o
homem passou por alguns milhares de nascimentos; ele começa,
então, a lançar um olhar de esperança
para além das compulsões de máya.
Remover o véu de máya
é pôr à mostra o segredo da
criação. Quem assim desnuda o universo
é o único monoteísta
autêntico. Todos os demais estão adorando
imagens pagãs. Enquanto o homem permanece sujeito
às ilusões dualísticas da Natureza,
sua deusa é Maya, a de dúplice rosto, como o
bífronte Jano; ele não pode conhecer o Deus
único e verdadeiro.
Em meio aos trilhões de
mistérios do cosmo, o mais fenomenal é a luz. Ao
contrário das ondas sonoras, cuja
transmissão exige atmosfera gasosa ou
algum outro meio material, as ondas de luz transpõem
livremente o vácuo do espaço
ínterestelar.(.....) Se levarmos em
conta a teoria de
Einstein, as propriedades geométricas do espaço
tornam desnecessárias a teoria do éter. Em
qualquer destas hipóteses, a luz, de todas
as
manifestações da natureza,
permanece como a mais sutil, a mais livre de
dependência material.
Em sua
Teoria do Campo Unificado, desenvolvimento
posterior da Teoria da
Relatividade, o grande
físico reuniu numa só
fórmula as leisda gravitação
e do eletromagnetismo. Reduzindo a estrutura
cósmica às variações de uma
única lei, Einstein regressou,
através de milênios, aos ríshis
que proclamaram a única textura da
criação: a maya protéica.
No mundo da física, observamos um jogo
de aparências, que é o próprio drama da
vida cotidiana. Meu cotovelo, uma sombra (aparência,
irrealidade, alusão à
essência), apóia-se sobre a mesa, outra
sombra; a tinta, sombra, desliza sobre o papel, sombra. Tudo
é simbólico, e o físico não
vai além do símbolo. Então vem (o
filósofo) a Mente, o alquimista que transmuta
os símbolos. Para concluir em termos
crus, a substância do mundo é substância
"mental".
Da ciência, pois, se este
há de
ser o caminho, aprenda o homem
a verdade filosófica de que não existe
universo material; sua textura e urdidura é maya,
ilusão. Submetidas à
análise, dissolvem-se todas
as miragens da realidade. À
medida que se derrubam,
uma a uma, as escoras
tranqüilizantes do mundo físico, o homem percebe obscuramente
sua confiança idólatra, sua
transgressão do Mandamento Divino: “Não
terás outros deuses diante de Mim”.

Em sua famosa
equação resumindo a
equivalência de massa e
energia, Einstein provou que a energia em qualquer partícula
de matéria é igual à massa ou peso
multiplicado pelo quadrado da velocidade da lua.
Obtém-se a liberação
das energias atômicas pelo aniquilamento
das partículas materiais. A “morte” da
matéria deu nascimento à Era Atômica.
A velocidade da luz é uma
constante ou um padrão matemático, não
porque haja um
valor absoluto nos 300.000 quilômetros
por segundo, mas porque nenhum corpo material, cuja
massa aumente com sua velocidade, pode
jamais alcançar a velocidade da luz. Em outras
palavras: só um corpo material, cuja massa fosse infinita,
poderia igualar a velocidade da luz.
Esta
concepção nos leva à lei dos milagres.
A consciência de um iogue perfeito
identifica-se sem esforço, não com um corpo
limitado, mas com a estrutura universal. A
gravitação, seja a
“força” de Newton
ou a “manifestação
da inércia” de
Einstein, é
impotente para obrigar um mestre a
exibir a propriedade do peso: condição gravitacional
inerente a todos os objetos materiais. Quem tem consciência
de ser Espírito Onipresente não mais
está sujeito à solidez do corpo no
espaço e no tempo. Seus
“cordões de
segurança”, rompidos, cederam
ao dissolvente “Eu sou
Ele”.
Os poderes, assim chamados
milagrosos, de um grande mestre são o acompanhamento natural
de sua exata compreensão das leis sutis que operam no cosmo
interior da consciência. (Extraído da Nota de
rodapé)

No final do capítulo, Yogananda oferece
provas da realidade da luz, a partir de suas experiências
pessoais, com requintado humor, quando teve o próprio corpo
transformado em textura astral. Destacamos as longas notas de
rodapés onde ele abre um amplo paralelo entre os
milagres de Cristo, dos profetas e de mestres da India; o
significado de Maya na forma de Satã do Velho Testamento,
etc.
Missão
predestinada
O
início da missão e partido para a
América
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