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Ediçao
reduzida de 1946 - Lótus do Saber
Inicialmente acreditava-se que esse livro estivesse
em
domínio público no Brasil, e embora a editora
(Lótus do Saber), omita em
suas divulgações qualquer
menção à
domínio público, era de se esperar
que só o
fizessem respaldados nesse motivo. Todavia, devido
à
estudos efetuados por membros especializados nos grupos de
discussão sobre propriedade intelectual,
concluiu-se que legalmente, a edição de 1946, só
entrará em domínio público em 1º
de janeiro de 2023, e
portanto, o livro está sendo vendido na ilegalidade,
passível de ser retirado de circulação
à
qualquer momento. Recentemente, foi publicado também, um
Manifesto denunciando as ilegalidades e promovendo um
abaixo-assinado em defesa da versão definitiva de Yogananda. Por
tudo isso, achamos por bem reproduzir as
informações mais relevantes, sob o ponto de vista
legal: (topo)
Lei
vigente de Direitos Autorais - nº 9.610/98
Comentando alguns
aspectos violados pela reedição de 1946
Os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta
anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao de seu
falecimento, obedecida a ordem sucessória da lei
civil.
Considerando que Paramahansa Yogananda faleceu
em
7/3/1952, a contagem do prazo para o término da
proteção dos seus direitos patrimoniais de autor,
exercidos por sua sucessora Self-Realization Fellowship SRF, se iniciou
em 01/01/1953 e perdurará até 31/12/2022.
O fato do autor ser indiano e ter escrito suas
obras
nos Estados Unidos não afeta a
proteção de suas
obras no Brasil, pois nossa legislação protege
tanto o
nacional quanto o estrangeiro, por força de diversos Tratados
Internacionais
sobre o assunto que somos signatários. E mais, ainda que uma
obra caia no domínio público em seu
país de
origem, isto em nada interfere com a proteção da
mesma no
Brasil. (topo)
Art. 24 - Capítulo II - Dos
Direitos Morais do Autor
1º- Por morte do autor, transmitem-se a
seus sucessores os direitos a que se referem os incisos I a IV.
IV - o de assegurar a integridade da obra,
opondo-se a
quaisquer modificações ou à
prática de atos
que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo,
como
autor, em sua reputação ou honra;
É incontroverso, que ainda
que a obra
estivesse em domínio público, a editora
transgride a
lei, ao modificar o nome da instituição do autor
e sua
sucessora, legalmente registrada nos órgãos
americanos e
mundialmente conhecida como Self-Realization
Fellowship. Em todas as passagens onde
Yogananda cita a Self-Realization, o nome foi traduzido para "Associação
da Realização do Self", numa clara
tentativa de dissociá-la do livro. (Ver
um exemplo aqui)
V
- o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada;
VI - o de retirar de
circulação a obra
ou de suspender qualquer forma de utilização
já
autorizada, quando a circulação ou
utilização implicarem afronta à sua
reputação e imagem;
A editora declara na abertura do livro, que ali
está o texto original, sem as
"modificações
feitas após sua morte". Em que pese sua intencional
omissão de informar que as mudanças
foram feitas pelo próprio autor em futura
edição, a lei também deixa claro que a
Self-Realization na condição de sucessora do
autor, teria
o direito de "modificar a obra, antes ou depois de utilizada", ao
contrário da editora, que não poderia e o fez.
Tal fato
implica em afronta à reputação e
imagem.
A doutrina é
unânime no sentido dos
direitos morais serem inalienáveis e
irrenunciáveis ad
eternum, inclusive imprescritíveis.
Art. 35 Capítulo III -
Dos Direitos Patrimoniais do Autor e de sua
Duração
Art.
35. Quando o autor,
em virtude de revisão, tiver dado à obra
versão
definitiva, não poderão seus sucessores
reproduzir
versões anteriores.
Conclui-se que, a
atualização de qualquer obra pelo autor,
principalmente
em se tratando de uma autobiografia, impede a
publicação da versão anterior, tanto
pelos
herdeiros como terceiros, e isto, mesmo para obra em domínio
público - o que não é o caso -
por ferir o
direito moral do autor. Se a SRF, ou qualquer
outro, não
poderiam relançar o texto original, é de se
esperar que
uma empresa comercial desautorizada, não tenha o direito
moral
ou legal de faze-lo.
Como Yogananda efetuou mudanças no livro em 1949 (ver aqui) e
lançou em 1951
outra edição revisada, ampliada com substanciais
modificações, tornando-a definitiva, isso impede a
publicação do texto original. Sem falar nos
agravantes da
tradução, com supressão de partes da
obra que
identificam a instituição do autor e as
transcritas notas
do “editor”, competindo ainda com a obra oficial. (topo)
Das
Penalizações
Não comprovada a
autorização para
esta tradução, configura-se o crime de
violação de direitos autorais, previsto no art.
184 do
Código Penal, bem como legislação
extravagante, e
cabíveis as sanções civis previstas
nos artigos
102 a 107 da LDA, como apreensão dos exemplares
reproduzidos;
indenizações, etc.
(topo)
Direitos
do Consumidor
A edição
“pirata”,
além de "ilegal", configura "crime contra as
relações de consumo", e as lojas que
comercializam esta
obra CONTRAFEITA também podem ser responsabilizadas, caso
cientes da violação de direitos autorais
não
cessem imediatamente a comercialização.
E ainda, um consumidor lesado, ao tomar
ciência
que comprou a obra contrafeita (incompleta) pode pleitear judicialmente
a rescisão do contrato por vício oculto e a
devolução em dobro do valor pago contra a
livraria,
distribuidora e editora, além de poder pleitear
indenização por danos morais. (topo)
CONCLUSÃO
- REFLEXÕES
Além de todo o expôsto acima,
é
incontroverso, que a editora distorce a verdade dos fatos, quando
declara em "Nota do Editor" na abertura do livro: "A
Lótus
do Saber tem o prazer de publicar pela primeira vez em
língua portuguesa o texto original desta importante obra,
tal
como o autor a concebeu, sem as centenas de
modificações,
acréscimos e cortes feitos após
a sua morte." E
prosseguem nessa linha demeritória inclusive em seu site.
1)- promovem o engano ao
omitirem que o autor
promoveu não centenas, mas milhares de
modificações, acréscimos e cortes na
Autobiografia que reescreveu em 1951,
quando era vivo e
não morto, razão pela qual, leitores chamam a
edição de 1946 de incompleta e/ou sentem-se
lesados ao
comprá-la pensando tratar-se da versão conclusiva
de
Yogananda.
2)- o autor concebeu o
livro sem as
propagandas comerciais espalhadas pelas páginas, da
editora
que surgiria quase 60 anos depois, para concorrer com a
própria
obra pela qual ele dedicou sua vida. Até onde Yogananda
comenta
sobre alimentos indianos ou seus famosos cantos
cósmicos,
(disponibilizados pela SRF), a editora aproveita para divulgar seu
livro de receitas, ou o Cd adaptado pelo sócio da empresa.
3)- o autor concebeu todos
os seus livros,
primando para que as traduções fossem feitas por
discípulos em harmonia, intimamente ligados
à sua
organização e jamais concordaria que o nome dela
fosse
suprimido de seus escritos.
4)- o
autor concebeu a
obra exaltando a Self-Realization. Se a editora hoje aponta
supostas modificações pela SRF
desconsiderando seu
direito, ou as instruções do fundador,
incorre em
erro maior ao modificar ela mesma, partes do livro que se estivesse em
domínio público, deveriam ser
intocáveis.
(topo)
Autobiografia Oficial SRF
É também fato, que a
Autobiografia é o portal de entrada para os ensinamentos de
Kriya Yoga, e ao modificar o nome da Self-Realization,
a editora oculta de seus leitores, (ou busca dificultar), o
acesso
à esse aprendizado através da
organização de Paramahansa Yogananda.
É outro fato, que obras em
domínio
público por não pagarem direitos autorais, tendem
a
beneficiar o consumidor e passam a custar menos; entretanto, nesse caso
é o contrário, pois é a
edição
oficial da SRF que custa um preço inferior
e cujo
rendimento é revertido para suas atividades de
propagação dos ensinamentos de Yogananda,
lições gratuitas de Kriya, etc.
Desse modo, parece claro que a publicação de 1946
no
Brasil, incorre em várias e graves
infrações. Mas
quais os motivos por trás desse comportamento
controverso,
por uma empresa que até 2005 se beneficiava de uma
relação comercial com a Self-Realization
Fellowship,
vendia e elogiava a Autobiografia que agora criticam? Nas
páginas seguintes, traçamos um breve
histórico das "motivações", bem como
as
modificações realizadas por Yogananda em sua
versão definitiva de 1951. (topo)
¹- Um exemplar do livro de 1951 modificado por Yogananda, pode ser visto aqui. Resenhas Autobiografia de 1951, veja aqui e aqui.
²- Opiniões dos leitores: Livraria
Cultura Buscapé
e Grupos online
³- Link para a Lei dos direitos
autorais
                     
                      
Os bastidores da
publicação de 1946 Acréscimos
de Yogananda em 1951
Manifesto de Alerta às Livrarias e Consumidores
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