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Tara Mata - Foi
editora chefe de P.Yogananda de 1924 a 1971,
tendo ocupado também o cargo de vice-presidente da SRF .

Uma instituição é o prolongamento da
sombra de um homem, disse Emerson.
Em se tratando da análise de alguns discípulos de
Paramahansa Yogananda, poderíamos afirmar com
justiça, que eles fizeram do "filho
espiritual de
Yogananda" - a Self-Realization Fellowship
- o prolongamento não só da
sombra,
como da luz de seu fundador.
Laurie Virginia Pratt
cujo nome monástico é Tara Mata
(16/08/1900 a 18/01/1971), nasceu em São Francisco
em uma
família de religiosos e intelectuais. Seu pai era professor
na
universidade de Berkeley, onde ela também estudou. Desde a
infância sentia-se atraída filosofia hindu, que
investigava minunciosamente, mas foi em 1924, aos 23 anos que
viu
seus anseios atendidos de compreender as supremas verdades. Sua
companheira de quarto a convidou para assistir uma palestra de
Paramahansa Yogananda e Tara Mata foi, sob o argumento que ele
não poderia ser um mestre verdadeiro, pois se
fosse,
não teria ido para os Estados Unidos, uma terra
tão
materialista.
Quando Yogananda a viu declarou: "finalmente
voce veio!"
E ela mais tarde comentava: “Eu
sempre quis ir à Índia e quando encontrei o Guru,
soube que o melhor da Índia veio a mim.”
A partir desse encontro, ocorrido apenas
4 anos
após Yogananda chegar à América, ela
tornou-se uma
das mais avançadas e
estimadas discípulas de
P.Yogananda e ajudou-o na consolidação da
Self-Realization. Ele lhe confiou a responsabilidade exclusiva de
compilar e editar suas palestras e conduzir o trabalho editorial
de seus escritos, desde que foram lançados os
primeiros
boletins da Self-Realization (Self-Realization Magazine), incluindo
todos os livros de Yogananda.
Segundo
depoimentos de muitos discípulos diretos de Yogananda,
registrados em livros, artigos e palestras, o estado espiritual de Tara
Mata era tão avançado, que
ele não
economizava demonstrações de alegria,
afeto e
confiança em sua discípula e
editora-chefe: "Ela
foi um grande iogue, que viveu muitas vidas ocultas do mundo,
na
Índia. Ela veio nesta vida para servir a esse trabalho."
Em muitas ocasiões públicas,
Yogananda expressou seu apreço pela sintonia
de
Tara Mata com o espírito de sua mensagem, assim
como
elogiava seu talento literário, ao ponto de
comparar
sua sabedoria filosófica com a de seu guru Sri
Yuktéswar : "Ela
é a melhor editora do País, talvez
de qualquer
outro lugar. Além de Sri Yukteswarji, meu grande
guru, Tara
Mata é a pessoa com quem mais apreciei conversar sobre
filosofia
indiana.”
Tara
Mata era tão sintonizada com Paramahansa Yoganda,
que um dia ao se olhar no espelho, no lugar da sua imagem, viu
refletido o rosto de seu guru, e entrou em samadhi
durante meses. A descrição dessa inusitada
experiência ela conta em um livreto de apenas 20
páginas,¹ e
mesmo assim, desnudando-se de vaidade pessoal, ao ocultar-se como
sujeito da experiência, pois a relata como se tivesse sido
vivenciada por outro personagem - um homem.
Swami Mokshananda, outro discípulo
direto, recorda o que ouvia de Yogananda: “Não
a deixo meditar porque ela entra em samadhi e não
trabalha...” Yogananda algumas vezes também
afirmou: " ela não
precisa mais de meditação, pois já se
iluminou em trabalhar nos meus escritos". (Obs: Ele disse o mesmo acerca de Daya Mata, a
irmã de Daya - Ananda Mata e Mrinalini Mata)
Numa carta para Rajarsi, onde Yogananda relatava a
satisfação pelo sucesso
da Autobiografia
de um Iogue, ele
escreveu:
“É
impossível tentar descrever o que Laurie fez pelo
livro. Se não fosse por ela, o livro nunca teria
ido
adiante. (...) Ninguém
além de Laurie poderia fazer a edição
para a minha suprema satisfação."
Acerca do seu trabalho como editora
de Paramahansa Yogananda, durante a
interpretação do Gita,² Tara
Mata escreveu:
“Ele
recebe tudo por inspiração. Na verdade,
é apenas
graças a ele que aprendi o que realmente significa a
expressão ‘livros inspirados’. Ele chega
a um trecho
que é tão obscuro que desafia todas as
possibilidades de
interpretação clara. Então, olha para
mim ou para
uma de suas outras secretárias por um instante, com uma
expressão distante, fecha os olhos, e logo surge todo o
significado claro. Eu lhe digo: tem sido uma
educação e
um privilégio ajudar neste livro maravilhoso. A minha
atribuição é pura
gramática,
organização, etc. Nenhuma
interpretação
é de outra pessoa, senão de Swamiji.”
(sobe)
                      
Agradecimentos
registrados nos livros por P. Yogananda
Segundo relata a Self em um artigo,
aqueles
que conheceram e trabalharam
com Tara
Mata lembram-se que ela era totalmente indiferente ao elogio
ou
reconhecimento público. Ela tentou dissuadir Paramahansa
Yogananda de sequer mencionar seu nome
nos agradecimentos da Autobiografia de um Iogue;
mas ele insistiu em que a inestimável assistência
dela não passaria desapercebida. (Ver
história Autobiografia)
" Sou profundamente reconhecido
à Srta L.V. Pratt, por seu longo trabalho editorial no
manuscrito deste livro"
Alguns anos depois, apenas 4 meses antes de seu mahamadhi,
ele prestou à Tara Mata novo agradecimento
público, ao registrar em uma nota do autor no famoso livro Whispers
from Eternity (Sussurros da Eternidade):
"
Tive a grande satisfação de revisar Whispers from
Eternity. Quando foi publicado pela primeira vez, o livro continha
escritos não editados e numerosas
transcrições
literais das orações compostas por mim em minhas
aulas de
ioga nas diversas cidades. Por muitos anos desejei revisar
essas
invocações, mas fui impedido pela
pressão de
outras obrigações. Durante os últimos
três
anos, eu arranjava tempo, de vez em quando, para revisar o livro.
Sou
imensamente grato a uma estudante da Self-Realization
Fellowship
que me deu inestimável ajuda no trabalho de
edição, revisão e
reorganização."
Paramahansa
Yogananda 30 de novembro de 1951 (sobe)
                      
Resguardando
a integridade das obras para o futuro
Sri Daya Mata declara
que, para o benefício de todos que fossem
atraídos no
futuro aos ensinamentos de Paramahansa Yogananda, ele tomou
medidas para resguardar a integridade de sua obra e evitar que o
significado original do que ele falou ou escreveu fosse alterado ou
mesmo perdido. Ele quis certificar-se de que suas obras
alcançassem o público somente depois que
estivessem
adequadamente editadas e preparadas para
publicação, de
acordo com suas orientações. E para este
objetivo
ele treinou duas de suas discípulas próximas
(Tara Mata e
Mrinalini Mata) para servirem como suas revisoras, e tomou as
providências que pôde, para garantir que o direito
de
publicação das obras dele permanecesse em sua
própria organização, a
Self-Realization Fellowship.
Foi com esse olhar no futuro, que
Paramahansa
Yogananda já preparava uma segunda pessoa para substituir
Tara
Mata quando ela se fosse. Tratava-se de Merna Loy
Brown ou Mrinalini Mata,
que tornara-se sua discípula aos 14 anos de idade, em 1945.
Próximo ao fim de sua vida na terra,
ele comentou entre alguns discípulos: "Estou muito preocupado com Laurie. Sua
saúde não lhe permitirá terminar o
trabalho sobre meus escritos."
Sabendo da grande confiança que
Yogananda depositava em Tara Mata, Mrinalini Mata expressou a
preocupação:
"Mas Mestre, quem então
fará este trabalho?"
Ele respondeu: "Você o fará."
O
trabalho anônimo de Tara Mata após a morte de P.
Yogananda
Nos anos seguintes ao mahasamadhi
de
Yogananda em 1952, Tara Mata acumulou muitos deveres como
membro e
escriturária da Junta de Diretores, ocupou
a vice-presidência da Self-Realization Fellowship,
além de ser a editora-chefe de todas as
publicações da organização.
Com todo seu conhecimento espiritual, sua
vasta
sabedoria filosófica e o reconhecido talento
literário que possuía, era de se esperar
que Tara
Mata escrevesse muitos livros, mas não o
fez; antes,
modestamente concentrou-se na publicação
das obras
de seu guru, fiel em mante-las sempre atualizadas, e às
recomendações que ele lhe dera nos mais de 25
anos que
trabalhou ao seu lado, auxiliando-o na difusão
da sua
mensagem.
Por essa atitude, trabalhando até o fim
de seus
dias, anônima e indiferente ao reconhecimento
público, é possível atestar o
espírito
humilde e a lealdade de Tara Mata, conforme
as palavras de
seu guru e da organização que ele fundou. Mas
como P.
Yogananda previra, ela não conseguiria concluir a
edição de todos os seus escritos. A
responsabilidade de
sucede-la coube à jovem Mrinalini Mata, que ele treinara
para
essa finalidade e permanece até hoje ativa frente
à
vice-presidente da Self-Realization Fellowship.
Sob a supervisão de Tara Mata
e de
Mirinalini Mata, foram publicados muitos livros inéditos de
autoria de Paramahansa Yogananda, ou a respeito dele e de seus
ensinamentos. (ver obras de P. Yogananda)
Tara Mata faleceu em 1971, após 47 anos
de
ininterrupto serviço prestado à obra de seu guru,
mas
depois de morta, foi alvo de perseguição e
críticas por um ex-monge (Donald Waters), que
entrou no asrham apenas tres anos antes do
mahasamadhi de
Yogananda e foi posteriormente demitido da Self-Realization, devido ao
que seria comportamento impróprio para um
monge e em
parte, pela interferência de Tara Mata que não lhe
permitia espaço para publicar seus próprios
escritos e
idéias, uma vez que ela priorizava os ensinamentos de
Yogananda.
Anos depois, quando esse ex-monge foi confrontado
legalmente
por ferir direitos autorais da SRF, ele passou a polemizar sobre as
edições de Tara Mata. Ver
aqui
(sobe)
Aqueles que acompanham e
estudam o legado
de Paramahansa Yogananda, refutam quaisquer críticas
à
memória dessa discípula, alegando que seria o
mesmo que
duvidar da onisciência e capacidade de enxergar o futuro de
seu
mestre; e costumam lembrar-se da seguinte frase repetida por
ele,
para defender a lealdade de Tara Mata:
“Laurie
é como uma criança, sem falsidade, inocente,
confiável, amorosa. Mas logo que ela começa a
perceber
qualquer pessoa desviar-se da Self-Realization Fellowship, cuidado! Ela
é como um leão, rugindo!”
(sobe)
1- Não
se tem comprovação de que Tara Mata tenha escrito
além de dois livros e ambos foram uma
coleta de
artigos que eventualmente escrevia. No pequeno livreto
chamado "Um
Precursor da Nova Raça" ela descreve
o profundo estado de realização divina
de um homem e a elevada mudança de consciência que
ele passou a viver, ao encontrar seu mestre. Mas
por humildade, oculta que o personagem era
ela própria. O
segundo livro é Astrological World Cycles, baseado no
trabalho de Sri Yuktéswar.
2-
Desde 1932 P. Yogananda havia iniciado seus comentários
sobre o
Gita, publicados na Revista da SRF sob a edição
de Tara
Mata. Nos seus últimos anos isolado no deserto ele completou
suas interpretações,
posteriormente compiladas para
o famoso livro God Talks with Arjuna.
Apesar
do esforço contínuo de Tara Mata em editar cada
verso
desse monumental trabalho, conforme seu guru previra, foi
através da sua sucessora, Mrinalini Mata,
que a obra foi concluída e finalmente lançada em
1995. Para alguns estudiosos como David Frawley, esse
livro foi recebido como um novo marco pelos séculos.
Declaração dele publicada no livro:
"
Yogananda é muito mais conhecido por sua Autobiografia de um
Iogue, mas seu Gita é uma obra da mesma estatura e
importância. O que a Autobiografia de um Iogue
alcança no
dominio da experiência humana, God Talks with Arjuna consegue
como ensinamento completo para a vida espiritual. Em seu Gita,
Yogananda aparece como um sábio do mais alto
nível e um
cientista espiritual, um avatar da Yoga para a
civilização mundial que se aproxima. A marca
desse
trabalho, sem dúvida alguma, permanecerá ao longo
das
eras."
Mrinalini Mata
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